Da Agência Brasil
Brasília - A oposição boliviana condicionou um acordo com o governo a mudanças na nova Constituição, aprovada ano passado sem a presença dos oposicionistas, de acordo com Informações da BBC Brasil. O senador do principal partido de oposição na Bolívia, o Podemos, Wálter Guiteras, afirmou que o governo quer discutir apenas o capítulo das autonomias e a oposição quer rever outros nove pontos que consideram “essenciais”. “Não é suficiente, como o governo pretende, discutir apenas o capítulo das autonomias”, disse Guiteras.
Essa nova exigência da oposição surgiu hoje (25) logo depois do reinício das negociações entre oposição e governo, suspensas na segunda-feira (22), quando o presidente boliviano Evo Morales foi a Nova York, Estados Unidos, para participar da reunião da Assembléia Geral das Nações Unidas e também de uma reunião da União das Nações da América do Sul (Unasul).
Entre os pontos que a oposição quer estão as autonomias indígenas, a revisão dos capítulos referentes ao tamanho da terra – que seria ficaria entre 5 e 10 mil hectares –, e a reeleição presidencial.
A nova constituição ainda precisa ser aprovada no Senado boliviano, onde a maioria dos parlamentares é de partidos da oposição. "Não podemos aprovar um pacote constitucional sem discutir seu conteúdo", afirmou o porta-voz dos governadores da oposição, Mario Cossío.
Só depois de a proposta aprovada no Senado é que o referendo poderá ser feito. Só, então, a população vai analisar o novo texto constitucional. Evo Morales declarou esta semana que o Congresso boliviano tem até o dia 15 de outubro para aprovar a nova Constituição e para convocar o referendo.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Governo e oposição esperam assinar acordo amanhã na Bolívia
da Folha Online
O governo e a oposição autonomista da Bolívia esperam assinar amanhã, em Cochabamba, seu primeiro acordo no marco do processo de diálogo que busca a paz no país, disseram nesta quarta-feira fontes da duas partes.
Em entrevista à televisão estatal boliviana, o vice-ministro de Descentralização, Fabián Yaksic, se mostrou esperançoso que na reunião de amanhã "se alcance a assinatura de um primeiro acordo que marcará a rota crítica" do resto das negociações.
O governador do departamento opositor (Estado) de Santa Cruz, Rubén Costas, disse que os opositores estão "fazendo um esforço de responsabilidade para que se alcance de uma vez por todas a pacificação no país". Para Costas, os governadores opositores querem "um primeiro acordo com tudo o que já foi conversado".
Tanto Yaksic quanto Costas, além dos governadores regionais, se encontrarão amanhã com o presidente boliviano, Evo Morales, que retorna ao país de viajem a Nova York, onde participou da 63ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas.
O vice-ministro Yaksic comentou que espera que as duas comissões técnicas que continuam trabalhando terminem hoje o relatório a ser apresentado na reunião de amanhã, prevista para começar às 10h (11h de Brasília).
Para Yaksic, o objetivo das negociações é que antes de 15 de outubro estejam dadas "as melhores condições possíveis para que finalmente o Congresso aprove a lei de convocação" dos referendos para validar o projeto de Constituição proposto pelo governo.
O Executivo e os opositores, com o acompanhamento da comunidade internacional, negociam o reparte das receitas dos hidrocarbonetos entre o Estado e os departamentos, a articulação de um modelo de descentralização autônoma e o projeto de nova Constituição apoiado por Morales.
O diálogo começou na última quinta-feira para pacificar o país depois de violentos confrontos entre opositores e governistas em cinco Estados governadas por opositores a Morales terem deixado ao menos 17 mortos e dezenas de feridos.
Morales agradece Unasul
Morales agradeceu, nesta quarta-feira, aos países da Unasul o apoio dado a seu governo, após uma reunião, em Nova York, na qual um novo encontro foi agendado para dezembro e se decidiu pela instalação de uma comissão investigadora na Bolívia.
Morales disse aos jornalistas, ao final de uma reunião com vários presidentes da União Sul-Americana de Nações (Unasul), que aproveitou o encontro para "agradecer a presidentes e presidentas da América do Sul por sua participação como observadores para buscar soluções pacíficas na Bolívia".
O presidente andino comentou que a situação em seu país, onde seu governo enfrenta dura oposição, "está se resolvendo".
A presidente chilena, Michelle Bachelet, que ocupa a Presidência rotativa da Unasul, convocou a reunião. No final, Bachelet destacou que o grupo resolveu suspender um encontro previsto para outubro e adiá-lo para dezembro. Nesse mês, acontece uma cúpula do Mercosul, na Bahia.
Em separado, Bachelet e Morales afirmaram que, a partir de segunda-feira, será instalada na Bolívia uma comissão encarregada de investigar os violentos confrontos ocorridos no departamento de Pando entre grupos opositores e camponeses partidários do governo, com saldo de pelo menos 17 mortos, dia 11 de setembro.
Com Efe e France Presse
O governo e a oposição autonomista da Bolívia esperam assinar amanhã, em Cochabamba, seu primeiro acordo no marco do processo de diálogo que busca a paz no país, disseram nesta quarta-feira fontes da duas partes.
Em entrevista à televisão estatal boliviana, o vice-ministro de Descentralização, Fabián Yaksic, se mostrou esperançoso que na reunião de amanhã "se alcance a assinatura de um primeiro acordo que marcará a rota crítica" do resto das negociações.
O governador do departamento opositor (Estado) de Santa Cruz, Rubén Costas, disse que os opositores estão "fazendo um esforço de responsabilidade para que se alcance de uma vez por todas a pacificação no país". Para Costas, os governadores opositores querem "um primeiro acordo com tudo o que já foi conversado".
Tanto Yaksic quanto Costas, além dos governadores regionais, se encontrarão amanhã com o presidente boliviano, Evo Morales, que retorna ao país de viajem a Nova York, onde participou da 63ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas.
O vice-ministro Yaksic comentou que espera que as duas comissões técnicas que continuam trabalhando terminem hoje o relatório a ser apresentado na reunião de amanhã, prevista para começar às 10h (11h de Brasília).
Para Yaksic, o objetivo das negociações é que antes de 15 de outubro estejam dadas "as melhores condições possíveis para que finalmente o Congresso aprove a lei de convocação" dos referendos para validar o projeto de Constituição proposto pelo governo.
O Executivo e os opositores, com o acompanhamento da comunidade internacional, negociam o reparte das receitas dos hidrocarbonetos entre o Estado e os departamentos, a articulação de um modelo de descentralização autônoma e o projeto de nova Constituição apoiado por Morales.
O diálogo começou na última quinta-feira para pacificar o país depois de violentos confrontos entre opositores e governistas em cinco Estados governadas por opositores a Morales terem deixado ao menos 17 mortos e dezenas de feridos.
Morales agradece Unasul
Morales agradeceu, nesta quarta-feira, aos países da Unasul o apoio dado a seu governo, após uma reunião, em Nova York, na qual um novo encontro foi agendado para dezembro e se decidiu pela instalação de uma comissão investigadora na Bolívia.
Morales disse aos jornalistas, ao final de uma reunião com vários presidentes da União Sul-Americana de Nações (Unasul), que aproveitou o encontro para "agradecer a presidentes e presidentas da América do Sul por sua participação como observadores para buscar soluções pacíficas na Bolívia".
O presidente andino comentou que a situação em seu país, onde seu governo enfrenta dura oposição, "está se resolvendo".
A presidente chilena, Michelle Bachelet, que ocupa a Presidência rotativa da Unasul, convocou a reunião. No final, Bachelet destacou que o grupo resolveu suspender um encontro previsto para outubro e adiá-lo para dezembro. Nesse mês, acontece uma cúpula do Mercosul, na Bahia.
Em separado, Bachelet e Morales afirmaram que, a partir de segunda-feira, será instalada na Bolívia uma comissão encarregada de investigar os violentos confrontos ocorridos no departamento de Pando entre grupos opositores e camponeses partidários do governo, com saldo de pelo menos 17 mortos, dia 11 de setembro.
Com Efe e France Presse
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Evo Morales pede à oposição que assine acordo para pacificar o país
Vladimir Platonow
Enviado especial
Cochabamba (Bolívia) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez um apelo à oposição para assine um acordo geral que pacifique o país e ponha fim aos conflitos que tomaram as ruas de diversas cidades há cerca de duas semanas.
Morales disse que, caso o acordo não seja fechado ainda neste domingo (21) ele terá dificuldades para controlar os milhares de camponeses indígenas que marcham em direção a Santa Cruz. A cidade é o centro dos protestos da oposição, que deixaram diversos feridos e ocasionaram a invasão e destruição de órgãos públicos federais.
O presidente disse que não abre mão de convocar o referendo constitucional até o próximo dia 1º, contrariando proposta da oposição de adiar por 30 dias o anúncio.
A consulta aos eleitores está prevista para daqui a três meses, quando os bolivianos vão às urnas para dizer se aprovam ou não a nova Constituição e para definir o tamanho máximo que poderá ter uma propriedade rural: 5 mil ou 10 mil hectares.
Segundo Morales, a questão da reforma agrária é o verdadeiro motivo dos protestos da oposição, que teme perder terras e poder.
Morales cobrou da oposição a desocupação de prédios das instituições federais, invadidos há mais de duas semanas. Dos 50 prédios invadidos, 11 ainda estão em poder dos manifestantes, segundo informou o presidente.
Evo Morales fez as declaração no meio da tarde em entrevista coletiva.
Enviado especial
Cochabamba (Bolívia) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez um apelo à oposição para assine um acordo geral que pacifique o país e ponha fim aos conflitos que tomaram as ruas de diversas cidades há cerca de duas semanas.
Morales disse que, caso o acordo não seja fechado ainda neste domingo (21) ele terá dificuldades para controlar os milhares de camponeses indígenas que marcham em direção a Santa Cruz. A cidade é o centro dos protestos da oposição, que deixaram diversos feridos e ocasionaram a invasão e destruição de órgãos públicos federais.
O presidente disse que não abre mão de convocar o referendo constitucional até o próximo dia 1º, contrariando proposta da oposição de adiar por 30 dias o anúncio.
A consulta aos eleitores está prevista para daqui a três meses, quando os bolivianos vão às urnas para dizer se aprovam ou não a nova Constituição e para definir o tamanho máximo que poderá ter uma propriedade rural: 5 mil ou 10 mil hectares.
Segundo Morales, a questão da reforma agrária é o verdadeiro motivo dos protestos da oposição, que teme perder terras e poder.
Morales cobrou da oposição a desocupação de prédios das instituições federais, invadidos há mais de duas semanas. Dos 50 prédios invadidos, 11 ainda estão em poder dos manifestantes, segundo informou o presidente.
Evo Morales fez as declaração no meio da tarde em entrevista coletiva.
domingo, 21 de setembro de 2008
Evo diz que protestos foram organizados por latifundiários contrários à reforma agrária
Vladimir Platonow
Enviado especial
Cochabamba (Bolívia) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse hoje (20) que os latifundiários contrários à realização da reforma agrária estiveram por trás dos protestos que paralisaram estradas, danificaram órgãos públicos e afetaram a distribuição de gás, quase levando o país a um conflito generalizado.
“Sei que por trás desses atos conspiradores e sediciosos estão os latifundiários, que especulam com a terra. Há denúncias de que essas terras foram ganhas indevidamente, distribuídas durante a ditadura militar a familiares. Isso tem que terminar, com o voto do povo boliviano”, disse Evo, em alusão ao referendo popular que vai estabelecer o tamanho máximo de uma propriedade no país: 5 mil ou 10 mil hectares.
Evo reconheceu que haverá dificuldades e resistência por parte dos latifundiários, mas afirmou que o processo pode correr sem violência, apenas usando as regras da política. “Os latifundiários vão resistir, inclusive usando alguns irmãos camponeses indígenas. Mas isso vai acabar. Temos que fazer política, ou fazer o poder político. Com dinheiro, armas e guerra não há futuro. O melhor é fazer políticas econômicas sobre a distribuição de terras”, declarou o presidente boliviano à imprensa, durante um intervalo do terceiro dia de negociações entre governo e governadores de oposição.
A reunião acontece em um hotel na cidade de Cochabamba, com a presença de representações estrangeiras como Organização das Nações Unidas (ONU), União Européia (UE) e Organização dos Estados Americanos (OEA), representada pelo seu secretário-geral, Miguel Insuzia. Também participam, como observadores, membros de sete países da América do Sul, inclusive o Brasil, representado pelo embaixador na Bolívia, Frederico de Araújo, e pelo cônsul em Cochabamba, Álvaro de Oliveira.
Evo agradeceu publicamente a presença desses observadores estrangeiros e disse que ajudariam a sensibilizar a oposição a chegar a um acordo hoje ou, no mais tardar, amanhã (21), já que ele viajará na terça-feira (23) a Nova Iorque para participar da assembléia-geral da ONU.
Enviado especial
Cochabamba (Bolívia) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse hoje (20) que os latifundiários contrários à realização da reforma agrária estiveram por trás dos protestos que paralisaram estradas, danificaram órgãos públicos e afetaram a distribuição de gás, quase levando o país a um conflito generalizado.
“Sei que por trás desses atos conspiradores e sediciosos estão os latifundiários, que especulam com a terra. Há denúncias de que essas terras foram ganhas indevidamente, distribuídas durante a ditadura militar a familiares. Isso tem que terminar, com o voto do povo boliviano”, disse Evo, em alusão ao referendo popular que vai estabelecer o tamanho máximo de uma propriedade no país: 5 mil ou 10 mil hectares.
Evo reconheceu que haverá dificuldades e resistência por parte dos latifundiários, mas afirmou que o processo pode correr sem violência, apenas usando as regras da política. “Os latifundiários vão resistir, inclusive usando alguns irmãos camponeses indígenas. Mas isso vai acabar. Temos que fazer política, ou fazer o poder político. Com dinheiro, armas e guerra não há futuro. O melhor é fazer políticas econômicas sobre a distribuição de terras”, declarou o presidente boliviano à imprensa, durante um intervalo do terceiro dia de negociações entre governo e governadores de oposição.
A reunião acontece em um hotel na cidade de Cochabamba, com a presença de representações estrangeiras como Organização das Nações Unidas (ONU), União Européia (UE) e Organização dos Estados Americanos (OEA), representada pelo seu secretário-geral, Miguel Insuzia. Também participam, como observadores, membros de sete países da América do Sul, inclusive o Brasil, representado pelo embaixador na Bolívia, Frederico de Araújo, e pelo cônsul em Cochabamba, Álvaro de Oliveira.
Evo agradeceu publicamente a presença desses observadores estrangeiros e disse que ajudariam a sensibilizar a oposição a chegar a um acordo hoje ou, no mais tardar, amanhã (21), já que ele viajará na terça-feira (23) a Nova Iorque para participar da assembléia-geral da ONU.
sábado, 20 de setembro de 2008
Brasil militariza fronteira com Bolívia após onda de refugiados vinda de Pando
FABIANO MAISONNAVE
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Brasiléia (Acre)
Cinco dias depois de a Bolívia decretar estado de sítio no departamento de Pando, o Exército brasileiro ocupou as duas pontes que ligam Brasiléia e Epitaciolândia, onde se refugiaram dezenas de opositores ao presidente boliviano, Evo Morales, à vizinha Cobija. Ontem, o ministro de Governo, Alfredo Rada, disse que La Paz pediu ao Brasil a expulsão de bolivianos envolvidos nos confrontos da semana passada.
Doze militares fortemente armados chegaram à fronteira na noite de quinta. Na ponte de Brasiléia, onde só se permite a passagem de pedestres, soldados anotam nome, cédula e o destino dos que entram no país.
Em Epitaciolândia, onde há tráfego de veículos, o trabalho de fiscalização é feito pela Polícia Militar. Nesse ponto, o único posto da Receita Federal da região está fechado desde quarta sob a alegação de que não há segurança para funcionar. Assim, todo o processo de importação e exportação está vetado.
Apesar do reforço, os militares não barram a entrada sem documentos, prática comum na região -as três cidades formam a mesma área urbana. Ontem à tarde, por exemplo, dois militares fardados bolivianos cruzaram a ponte para pagar o açougue em Brasiléia.
A militarização do lado brasileiro ocorre no momento em que a situação se acalma na Bolívia. Ontem, a maioria das lojas já estava aberta, e os militares patrulhavam quase todas as ruas. Os postos fronteiriços de Cobija, desertos na semana passada, agora estão sob a guarda permanente do Exército. Mas os serviços migratórios e de aduana seguem suspensos.
Durante toda a tarde, a Folha buscou informações no 4º Batalhão de Infantaria de Selva, responsável pela fronteira, mas não obteve resposta.
À rádio boliviana Erbol Rada disse que pediu ao governo brasileiro a "expulsão de gente considerada delinqüente e que participou de forma direta no massacre de 11 de setembro", no qual ao menos 15 pessoas morreram e 106 estão desaparecidas, segundo dados oficiais.
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Brasiléia (Acre)
Cinco dias depois de a Bolívia decretar estado de sítio no departamento de Pando, o Exército brasileiro ocupou as duas pontes que ligam Brasiléia e Epitaciolândia, onde se refugiaram dezenas de opositores ao presidente boliviano, Evo Morales, à vizinha Cobija. Ontem, o ministro de Governo, Alfredo Rada, disse que La Paz pediu ao Brasil a expulsão de bolivianos envolvidos nos confrontos da semana passada.
Doze militares fortemente armados chegaram à fronteira na noite de quinta. Na ponte de Brasiléia, onde só se permite a passagem de pedestres, soldados anotam nome, cédula e o destino dos que entram no país.
Em Epitaciolândia, onde há tráfego de veículos, o trabalho de fiscalização é feito pela Polícia Militar. Nesse ponto, o único posto da Receita Federal da região está fechado desde quarta sob a alegação de que não há segurança para funcionar. Assim, todo o processo de importação e exportação está vetado.
Apesar do reforço, os militares não barram a entrada sem documentos, prática comum na região -as três cidades formam a mesma área urbana. Ontem à tarde, por exemplo, dois militares fardados bolivianos cruzaram a ponte para pagar o açougue em Brasiléia.
A militarização do lado brasileiro ocorre no momento em que a situação se acalma na Bolívia. Ontem, a maioria das lojas já estava aberta, e os militares patrulhavam quase todas as ruas. Os postos fronteiriços de Cobija, desertos na semana passada, agora estão sob a guarda permanente do Exército. Mas os serviços migratórios e de aduana seguem suspensos.
Durante toda a tarde, a Folha buscou informações no 4º Batalhão de Infantaria de Selva, responsável pela fronteira, mas não obteve resposta.
À rádio boliviana Erbol Rada disse que pediu ao governo brasileiro a "expulsão de gente considerada delinqüente e que participou de forma direta no massacre de 11 de setembro", no qual ao menos 15 pessoas morreram e 106 estão desaparecidas, segundo dados oficiais.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Governo e oposição avançam em acordo para solucionar crise política na Bolívia

Cochabamba (Bolívia) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, participa de reunião com representantes internacionais e governadores departamentais
Vladimir Platonow
Enviado especial
Antônio Cruz/ABr
Cochabamba (Bolívia) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, participa de reunião com representantes internacionais e governadores departamentais
Cochabamba (Bolívia) - Depois de quase 18 horas de reunião, lideranças políticas da Bolívia chegaram a um acordo que pode ser o marco de um novo processo institucional no país. Reunidos em Cochabamba, a cerca de 500 quilômetros da capital La Paz, foram estabelecidas na madrugada de hoje (19) as bases de entendimento entre governo e oposição, o que pode por fim a semanas de conflitos, protestos e provocações.
Nesse período, pelos menos 20 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, em choques entre governo e oposição que quase levaram o país a uma escalada de violência generalizada.O encontro contou com a presença do presidente Evo Morales, de ministros de estado, deputados, governadores, diplomatas de sete países, de membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização das Nações Unidas (ONU), União Européia (UE) e de religiosos católicos, evangélicos e metodistas. O Brasil esteve representado pelo embaixador na Bolívia, Frederico de Araújo, e pelo cônsul em Cochabamba, Álvaro de Oliveira.O encontro foi considerado positivo pelo governador de Tarija, Mário Rossio, um dos principais negociadores da oposição. “Foi um dia duro, mas faz parte do processo. Temos visões distintas em alguns temas e coincidências em outros. O importante é que nós decidimos instalar o diálogo, que chegou a ficar frágil em alguns momentos, mas começa a amadurecer aos poucos”, afirmou ao término da reunião, por volta das 2h.Os detalhes acertados no encontro também foram passados pelo vice-ministro de Descentralização, Fabian Yassic. Segundo ele, foram definidas três comissões de trabalho, que começam a as atividades no início da tarde de hoje: uma vai se concentrar na questão da distribuição dos lucros da exploração do gás e do petróleo entre governo central e departamentos, outra vai trabalhar a autonomia administrativa dos departamento e mudanças na nova Constituição, e a terceira, um novo pacto institucional.
Yassic afirmou que os entendimentos devem terminar com os bloqueios feitos por indígenas apoiadores de Evo nas principais estradas do país. “Estes avanços que estamos tendo, sem dúvida, vão proporcionar que as medidas de pressão possam ser suspensas”, disse ele, informando também que as últimas instituições públicas que haviam sido invadidas pela oposição já tinham sido entregues. A reunião prossegue pelo menos até amanhã (20), quando novamente terá a presença de Evo Morales, que hoje viaja ao Panamá para receber o título de honoris causa de uma universidade local.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Governo Boliviano diz que 1º dia de diálogo com oposição é "positivo"

da Folha Online
O diálogo na Bolívia entre o presidente, Evo Morales, e os prefeitos (governadores) de oposição avançou de forma "positiva", nesta quinta-feira, primeiro dia de reunião. Porém, os temas mais polêmicos ainda não foram discutidos, disse o porta-voz do governo Iván Canelas, após o fim do encontro em Cochabamba.
Morales propôs nesta quinta-feira a quatro governadores de oposição a suspensão de todas as medidas de pressão, como os bloqueios nas estradas realizados por simpatizantes do governo, de acordo com Canelas.
Arte/Folha Online
Novíssimo mapa Bolívia
O porta-voz afirmou que o presidente lançou uma "nova proposta" às autoridades de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca para selar um acordo que permita colocar a Bolívia em um processo de paz e estabilidade, após três semanas de violência que deixaram ao menos 19 mortos e dezenas de feridos.
"A proposta é liberar todos os bloqueios (de estradas)", disse Canelas, acrescentando que a oferta inclui os bloqueios realizados por simpatizantes do presidente em três rotas vitais de acesso a Santa Cruz de la Sierra, capital de Santa Cruz. O porta-voz afirmou que a medida permitirá a Santa Cruz realizar uma importante feira internacional de empresários.
Segundo Canelas, a proposta ainda não foi aceita pelos governadores.
Nesta quinta, os líderes discutiram sobre as bases do pré-acordo assinado na terça-feira (16), que implica na criação de três comissões para discutir os temas mais polêmicos da política boliviana.
Martin Mejia/AP
O presidente boliviano, Evo Morales (dir.), e o vice, Álvaro Garcia, no encontro de negociação de um acordo de paz com a oposição
O presidente boliviano, Evo Morales (dir.), e o vice, Álvaro Garcia, no encontro de negociação de um acordo de paz com a oposição
O pré-acordo prevê, entre outros pontos, a devolução para os departamentos de oposição do imposto sobre o gás que, desde janeiro passado, o governo federal destina ao pagamento de um benefício para idosos; as autonomias administrativas de Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija; a desocupação de prédios públicos ocupados por manifestantes nesses departamentos; e a investigação da autoria de uma chacina em Pando.
Para a governadora de Chuquisaca, Savina Cuéllar, os diálogos também precisam abordar se a cidade de Sucre deve ser capital plena da Bolívia. Sucre, capital histórica do país, reivindica a sede dos três poderes. Atualmente, abriga apenas o Judiciário, enquanto o Executivo e o Legislativo estão em La Paz.
Instalações tomadas
Os governadores e líderes cívicos que integram a oposição anunciaram nesta quinta que os manifestantes ligados a eles já começaram a desocupar os prédios públicos tomados nas últimas semanas.
Imagens de TVs locais mostraram a retirada de manifestantes de prédios da Empresa Nacional de Telecomunicações (Entel), da Imigração, do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Inra), dos Impostos Nacionais e de terminais de ônibus e trens.
Em Tarija, a maior expectativa é pela entrega de dois campos de produção de petróleo --um deles abastece de gás natural o mercado argentino-- e pela liberação das rodovias, fechadas por bloqueios há mais de 25 dias.
"Os edifícios serão entregues hoje como marco de um pré-acordo com o governo para aliviar a crise política", afirmou o governador de Santa Cruz, Rubén Costas.
O presidente se reuniu nesta quinta em Cochabamaba com quatro governadores rebeldes para alcançar um acordo de longo prazo, com a ajuda de facilitadores da Igreja Católica e delegados diplomáticos da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), União Européia, da OEA (Organização de Estados Americanos) e das Nações Unidas.
Uma declaração emitida pela Unasul na segunda-feira também deu um forte apoio político ao presidente, em meio aos temores de que o confronto pudesse desencadear em um golpe de Estado ou em uma guerra civil no país, dada a polarização entre simpatizantes e contrários ao governo.
Com agências internacionais
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