El País
Javier Lafuente
Em Madri
A saída da Bolívia dos agentes antidroga americanos, expulsos por Morales, aumenta o temor de que os cartéis se fortaleçam no país andino
No hotel Los Tucanes, na província boliviana de Chapare, vão sentir saudade de alguns hóspedes habituais que desde o início de fevereiro provavelmente não apareceram mais por lá. Nessa área "cocalera" [de plantadores de coca], uma das mais importantes da Bolívia, costumavam se hospedar alguns dos cerca de 50 agentes do departamento antidrogas dos EUA (DEA na sigla em inglês) que atuavam no centro da Bolívia e que o governo de Evo Morales decidiu expulsar em 1º de novembro passado, depois de acusá-los de realizar "espionagem e conspiração" contra seu Executivo.
Desde então, os agentes americanos tinham 90 dias de prazo para voltar para casa. Hoje não fica rastro da DEA na Bolívia. Isto é, não fica nada dos serviços que durante mais de 35 anos compartilharam inteligência operacional e estratégica com a polícia local, dando à Bolívia "o equipamento necessário para localizar e destruir fábricas de produção de drogas ilegais" e rastreando seu movimento, segundo indica a agência em um comunicado explicando o motivo de sua expulsão.
Muito pouca gente estranhou a decisão de Morales. A tensão acumulada em suas relações com os EUA desde que chegou ao poder fazia prever uma medida assim. Os cocaleros de Chapare já tinham dado um aviso prévio com a expulsão em junho dos membros da agência americana de cooperação Usaid. "Os funcionários da DEA operavam na Bolívia sem nenhum controle estatal. Suas operações de inteligência eram duvidosas. Demonstramos em várias oportunidades que funcionários da DEA estavam ligados a operações encobertas de narcotráfico", defende-se o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana.
A primeira consequência da ordem a Washington não demorou. Apenas um mês depois, o então presidente George W. Bush excluiu a Bolívia do sistema de preferências alfandegárias, do qual se beneficiava desde 1989 e que facilita as exportações para os EUA, um dos mercados mais importantes do país andino.
Além dos efeitos que isso possa ter na economia boliviana, o que mais preocupa em nível internacional é o vazio que vai deixar a ausência da DEA na luta contra o narcotráfico, sobretudo no que se refere ao controle da cocaína. "Nossa polícia e nossas forças armadas têm capacidade operacional suficiente para combater o narcotráfico", afirma o ministro do governo, Alfredo Rada, em conversa telefônica.
Segundo o encarregado da polícia no Executivo de Morales, isso não se conseguirá somente usando as forças armadas. "Vamos nacionalizar a luta contra o narcotráfico, os métodos e as estratégias serão decididas pelos bolivianos, não admitiremos ingerências", explica Rada, e acrescenta: "Não nos fechamos à participação da comunidade internacional; a única coisa que pedimos é que se respeite a soberania nacional".
A opinião de Rada contrasta com o mal humor dos que operam contra o narcotráfico e consideram que a rede criada durante mais de três décadas pela agência americana foi praticamente para o ralo em 90 dias. "Nenhum país tem a capacidade logística da DEA. Desde que os expulsaram, seus antigos delatores tentam contatar as agências européias", explicam fontes policiais estrangeiras que atuam na Bolívia. "Ninguém trabalha como os americanos, muito poucos pagam por informações, a não ser que sejam muito relevantes", acrescentam as mesmas fontes.
O número de fábricas de cocaína que a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico boliviana apreendeu com apoio da DEA, segundo a agência americana, aumentou para 6.535 em 2008, 950% a mais desde 2000, quando foram apreendidas 622.
Apesar desses dados, também há quem reduza seu entusiasmo. "A DEA não estava tão preocupada como pode parecer em erradicar o cultivo da coca. Eles têm detectado perfeitamente que o destino da cocaína é a Europa, e apenas 2% vão para os EUA", afirma um dirigente estrangeiro que trabalhou nos últimos cinco anos na Bolívia. Durante esse tempo, insiste, "a DEA afrouxou muito a tensão na luta contra o narcotráfico".
No relatório anual sobre narcotráfico, o Departamento de Estado dos EUA expressa sua preocupação pela crescente influência dos cartéis colombianos e mexicanos na Bolívia.
Por que Morales decidiu expulsar a DEA? O governo baseia seus argumentos na "ingerência" dos funcionários americanos que, segundo Rada, "se intrometeram para desestabilizar" o Executivo de Morales. Há quem acredite que a razão corresponde mais a uma estratégia política. "Evo está mais pendente da ideologia bolivariana do que das consequências que possa ter esse alinhamento" com países como Venezuela ou Equador, denuncia o deputado opositor Rodrigo Paz.
Evidenciando a dialética típica da política, um dos motivos de maior peso é que Morales é o líder das seis federações de cocaleros do país, que representam uma rede com muito poder nas bases do MAS, o partido do presidente. "Nunca houve na Bolívia um projeto tão bem-sucedido quanto o dos cocaleros, que conseguiram elevar ao mais alto um dos seus", opina o dirigente estrangeiro.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
segunda-feira, 16 de março de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Na Bolívia, um tesouro inexplorado encontra o nacionalismo
The New York Times
Simon Romero
Em Uyuni (Bolívia)
Na corrida para criação da próxima geração de carros híbridos ou elétricos, tanto fabricantes de automóveis quanto os governos que buscam reduzir sua dependência do petróleo estrangeiro se vêem diante de um fato sério: quase metade do lítio do mundo, o mineral necessário para impulsionar os veículos, é encontrado na Bolívia - um país que pode não estar disposto a cedê-lo facilmente.
As empresas japonesas e europeias estão ocupadas tentando fechar acordos para explorar o recurso, mas o sentimento nacionalista em relação ao lítio está crescendo rapidamente no governo do presidente Evo Morales, um ardoroso crítico dos Estados Unidos que já nacionalizou os setores de petróleo e gás natural da Bolívia.
* Noah Friedman-Rudovsky/The New York Times
Montes de sal em Salar do Uyuni
* Veja outras fotos
Por ora, o governo fala em controlar rigidamente o lítio e manter os estrangeiros acuados. Aumentando a pressão, os grupos indígenas aqui no remoto deserto de sal onde o mineral se encontra estão buscando uma participação no eventual lucro.
"Nós sabemos que a Bolívia pode se tornar a Arábia Saudita do lítio", disse Francisco Quisbert, 64 anos, o líder da Frutcas, o sindicato dos extratores de sal e produtores de quinua nas margens de Salar do Uyuni, o maior deserto de sal do mundo. "Nós somos pobres, mas não somos camponeses estúpidos. O lítio pode ser da Bolívia, mas também é de nossa propriedade."
A nova Constituição que Morales conseguiu que fosse aprovada no mês passado reforça essas reivindicações. Um de seus artigos poderia dar aos índios o controle sobre os recursos naturais de seu território, fortalecendo sua habilidade de obter concessões das autoridades e empresas privadas, ou mesmo bloquear projetos de mineração.
Nada disso minimiza os esforços dos estrangeiros, incluindo os conglomerados japoneses Mitsubishi e Sumitomo, e um grupo liderado pelo industrial francês Vincent Bolloré. Nos últimos meses, todos os três enviaram representantes a La Paz, a capital, para discutir com o governo Morales o acesso ao lítio, um componente crítico para as baterias que fazem funcionar os carros e outros aparelhos eletrônicos.
"Há lagos de sal no Chile e na Argentina, e um depósito promissor de lítio no Tibete, mas o prêmio está claramente na Bolívia", disse Oji Baba, um executivo da Unidade de Metais Básicos da Mitsubishi, em La Paz. "Se quisermos ser uma força na próxima onda de automóveis e das baterias que os moverão, então temos que estar aqui."
A Mitsubishi não é a única planejando produzir carros usando baterias de íon-lítio. As fabricantes de automóveis americanas em dificuldades estão depositando suas esperanças no lítio. Uma delas é a General Motors, que no próximo ano planeja apresentar seu Volt, um carro usando bateria de íon-lítio juntamente com um motor a gasolina. Nissan, Ford e BMW, entre outras fábricas, possuem projetos semelhantes.
A demanda por lítio, há muito usado em pequenas quantidades em medicamentos estabilizadores do humor e armas termonucleares, aumentou à medida que os fabricantes de baterias para BlackBerrys e outros dispositivos eletrônicos passaram a usar o mineral. Mas a indústria automotiva possui o maior potencial inexplorado para o lítio, dizem os analistas. Como ele pesa menos que o níquel, que também é usado em baterias, ele permitiria aos carros elétricos armazenar mais energia e percorrerem distâncias maiores.
Com os governos, incluindo o de Obama, buscando aumentar a eficiência dos combustíveis e reduzir a dependência de petróleo importado, as empresas privadas estão concentrando sua atenção neste canto desolado dos Andes, onde os índios de língua quéchua subsistem do que resta de um antigo mar interno, extraindo o sal que carregam em caravanas de lhamas.
O Levantamento Geológico dos Estados Unidos diz que 5,4 milhões de toneladas de lítio poderiam potencialmente ser extraídas na Bolívia, em comparação a 3 milhões no Chile, 1,1 milhão na China e apenas 410 mil nos Estados Unidos. Geólogos independentes estimam que a Bolívia pode até ter mais lítio em Uyuni e seus outros desertos de sal, apesar das altitudes elevadas e a qualidade das reservas poderem dificultar o acesso ao mineral.
Apesar das estimativas variarem enormemente, alguns geólogos dizem que os fabricantes de carros elétricos poderiam explorar os depósitos de lítio da Bolívia por muitas décadas.
Mas em meio a tamanho potencial, os estrangeiros que buscam explorar os depósitos de lítio bolivianos devem lidar com as políticas de Morales, 49 anos, que já entrou repetidas vezes em choque com investidores americanos, europeus e até mesmo sul-americanos.
Morales chocou o vizinho Brasil, com que mantém termos amistosos, ao nacionalizar os projetos de gás natural do país em 2006 e buscar um forte aumento dos preços. Ele realizou sua mais recente nacionalização antes da votação da Constituição, enviando soldados para ocuparem as operações da gigante britânica de petróleo BP.
Na sede em La Paz da Comibol, a agência estatal que supervisiona os projetos de mineração, a visão de Morales de combinar socialismo com a defesa dos índios bolivianos está em exposição de forma proeminente. Cópias do "Cambio", um novo jornal estatal, estão disponíveis no saguão, enquanto pôsteres de Che Guevara, o ícone esquerdista morto na Bolívia em 1967, estão presentes na entrada dos escritórios da Comibol.
"O modelo imperialista anterior de exploração de nossos recursos naturais nunca mais se repetirá na Bolívia", disse Saúl Villegas, chefe da divisão da Comibol que supervisiona a extração de lítio. "Talvez haja a possibilidade dos estrangeiros aceitarem ser parceiros minoritários, ou melhor, nossos clientes."
Para isso, a Comibol está investindo cerca de US$ 6 milhões em uma pequena usina perto da aldeia de Río Grande, na margem do Salar do Uyuni, onde espera iniciar o primeiro esforço em escala industrial da Bolívia para extrair o lítio da paisagem branca, semelhante à lunar, e processá-lo em carbonato para as baterias.
Os técnicos primeiro precisam trazer a salmoura, a água saturada de sal encontrada nas profundezas sob o deserto de sal, para a superfície, onde ela é evaporada em tanques para expor o lítio. Morales quer a usina concluída até o final deste ano.
Os operários daqui estavam em um frenesi para cumprir a meta durante o final de janeiro, trabalhando sob o sol ao redor de paredes de tijolos inacabadas. Durante uma refeição de guisado de lhama e uma Pepsi, Marcelo Castro, 48 anos, o supervisor do projeto, explicou que além do processamento de lítio, a usina tinha outro objetivo.
"É claro, o lítio é o mineral que nos conduzirá para a era pós-petróleo", disse Castro. "Mas para podermos seguir por essa estrada, nós temos que elevar a consciência revolucionária de nosso povo, começando pelo piso desta fábrica."
Além da minúscula usina, os analistas de lítio dizem que a Bolívia, um dos países menos desenvolvidos da América Latina, precisa investir muito mais para iniciar a produção do carbonato. Mas com a desaceleração do crescimento econômico e a queda nos preços do petróleo limitando a ajuda de sua principal benfeitora, a Venezuela, não se sabe quanto a Bolívia será capaz de fazer por conta própria.
Ainda assim, apesar de Morales estar exercendo um maior controle sobre a economia e assumindo os projetos de petróleo e gás, analistas otimistas do setor apontam que ele permitiu que algumas empresas estrangeiras permanecessem no país como parceiras minoritárias.
A exploração de lítio na Bolívia tem sua própria história de altos e baixos. No início dos anos 90, a oposição nacionalista supostamente liderada por Gonzalo Sánchez de Lozada, um rico detentor de concessões de mineração que posteriormente se tornou presidente da Bolívia, minou um plano da Lithco, uma empresa americana, de explorar os depósitos de lítio daqui.
Essa história, somada às atuais tensões de Morales com Washington, podem ajudar a explicar por que as empresas americanas parecem estar de lado enquanto outras buscam acordos de lítio aqui. Sánchez de Lozada no final foi forçado a renunciar como presidente em 2003, após Morales ter liderado protestos contra seus esforços para exportar gás natural com a ajuda de capital estrangeiro.
Enquanto a Bolívia estuda como explorar seu lítio, países com reservas menores estão aumentando a produção. A China despontou como maior produtora de lítio, explorando reservas encontradas em um deserto de sal tibetano.
Mas geólogos e economistas estão debatendo ferozmente se as reservas de lítio fora da Bolívia são suficientes para atender a demanda global crescente. Keith Evans, um geólogo da Califórnia, argumenta que os recursos de lítio acessíveis fora da Bolívia são significativamente maiores do que as estimativas do Levantamento Geológico dos Estados Unidos.
Juan Carlos Zuleta, um economista em La Paz, disse: "Nós temos as reservas de lítio mais magníficas do planeta, mas se não entrarmos na corrida agora, nós perderemos esta chance. O mercado encontrará outras soluções para as necessidades de bateria do mundo".
No deserto de sal de Uyuni, esse debate parece remoto para aqueles que ainda trabalham da mesma forma que seus ancestrais, raspando o sal do solo em pilhas em formato de cone que se alinham no horizonte como uma miragem geométrica. O lítio encontrado abaixo da superfície deste deserto parece ainda mais remoto para estes extratores de sal do século 21.
"Eu ouvi falar do lítio, mas só espero que possa criar trabalho para nós", disse Pedro Camata, 19 anos, com seu rosto protegido do sol inclemente por uma máscara de esqui e óculos escuros baratos cobrindo seus olhos. "Uma pessoa sem trabalho aqui está morta."
Tradução: George El Khouri Andolfato
Simon Romero
Em Uyuni (Bolívia)
Na corrida para criação da próxima geração de carros híbridos ou elétricos, tanto fabricantes de automóveis quanto os governos que buscam reduzir sua dependência do petróleo estrangeiro se vêem diante de um fato sério: quase metade do lítio do mundo, o mineral necessário para impulsionar os veículos, é encontrado na Bolívia - um país que pode não estar disposto a cedê-lo facilmente.
As empresas japonesas e europeias estão ocupadas tentando fechar acordos para explorar o recurso, mas o sentimento nacionalista em relação ao lítio está crescendo rapidamente no governo do presidente Evo Morales, um ardoroso crítico dos Estados Unidos que já nacionalizou os setores de petróleo e gás natural da Bolívia.
* Noah Friedman-Rudovsky/The New York Times
Montes de sal em Salar do Uyuni
* Veja outras fotos
Por ora, o governo fala em controlar rigidamente o lítio e manter os estrangeiros acuados. Aumentando a pressão, os grupos indígenas aqui no remoto deserto de sal onde o mineral se encontra estão buscando uma participação no eventual lucro.
"Nós sabemos que a Bolívia pode se tornar a Arábia Saudita do lítio", disse Francisco Quisbert, 64 anos, o líder da Frutcas, o sindicato dos extratores de sal e produtores de quinua nas margens de Salar do Uyuni, o maior deserto de sal do mundo. "Nós somos pobres, mas não somos camponeses estúpidos. O lítio pode ser da Bolívia, mas também é de nossa propriedade."
A nova Constituição que Morales conseguiu que fosse aprovada no mês passado reforça essas reivindicações. Um de seus artigos poderia dar aos índios o controle sobre os recursos naturais de seu território, fortalecendo sua habilidade de obter concessões das autoridades e empresas privadas, ou mesmo bloquear projetos de mineração.
Nada disso minimiza os esforços dos estrangeiros, incluindo os conglomerados japoneses Mitsubishi e Sumitomo, e um grupo liderado pelo industrial francês Vincent Bolloré. Nos últimos meses, todos os três enviaram representantes a La Paz, a capital, para discutir com o governo Morales o acesso ao lítio, um componente crítico para as baterias que fazem funcionar os carros e outros aparelhos eletrônicos.
"Há lagos de sal no Chile e na Argentina, e um depósito promissor de lítio no Tibete, mas o prêmio está claramente na Bolívia", disse Oji Baba, um executivo da Unidade de Metais Básicos da Mitsubishi, em La Paz. "Se quisermos ser uma força na próxima onda de automóveis e das baterias que os moverão, então temos que estar aqui."
A Mitsubishi não é a única planejando produzir carros usando baterias de íon-lítio. As fabricantes de automóveis americanas em dificuldades estão depositando suas esperanças no lítio. Uma delas é a General Motors, que no próximo ano planeja apresentar seu Volt, um carro usando bateria de íon-lítio juntamente com um motor a gasolina. Nissan, Ford e BMW, entre outras fábricas, possuem projetos semelhantes.
A demanda por lítio, há muito usado em pequenas quantidades em medicamentos estabilizadores do humor e armas termonucleares, aumentou à medida que os fabricantes de baterias para BlackBerrys e outros dispositivos eletrônicos passaram a usar o mineral. Mas a indústria automotiva possui o maior potencial inexplorado para o lítio, dizem os analistas. Como ele pesa menos que o níquel, que também é usado em baterias, ele permitiria aos carros elétricos armazenar mais energia e percorrerem distâncias maiores.
Com os governos, incluindo o de Obama, buscando aumentar a eficiência dos combustíveis e reduzir a dependência de petróleo importado, as empresas privadas estão concentrando sua atenção neste canto desolado dos Andes, onde os índios de língua quéchua subsistem do que resta de um antigo mar interno, extraindo o sal que carregam em caravanas de lhamas.
O Levantamento Geológico dos Estados Unidos diz que 5,4 milhões de toneladas de lítio poderiam potencialmente ser extraídas na Bolívia, em comparação a 3 milhões no Chile, 1,1 milhão na China e apenas 410 mil nos Estados Unidos. Geólogos independentes estimam que a Bolívia pode até ter mais lítio em Uyuni e seus outros desertos de sal, apesar das altitudes elevadas e a qualidade das reservas poderem dificultar o acesso ao mineral.
Apesar das estimativas variarem enormemente, alguns geólogos dizem que os fabricantes de carros elétricos poderiam explorar os depósitos de lítio da Bolívia por muitas décadas.
Mas em meio a tamanho potencial, os estrangeiros que buscam explorar os depósitos de lítio bolivianos devem lidar com as políticas de Morales, 49 anos, que já entrou repetidas vezes em choque com investidores americanos, europeus e até mesmo sul-americanos.
Morales chocou o vizinho Brasil, com que mantém termos amistosos, ao nacionalizar os projetos de gás natural do país em 2006 e buscar um forte aumento dos preços. Ele realizou sua mais recente nacionalização antes da votação da Constituição, enviando soldados para ocuparem as operações da gigante britânica de petróleo BP.
Na sede em La Paz da Comibol, a agência estatal que supervisiona os projetos de mineração, a visão de Morales de combinar socialismo com a defesa dos índios bolivianos está em exposição de forma proeminente. Cópias do "Cambio", um novo jornal estatal, estão disponíveis no saguão, enquanto pôsteres de Che Guevara, o ícone esquerdista morto na Bolívia em 1967, estão presentes na entrada dos escritórios da Comibol.
"O modelo imperialista anterior de exploração de nossos recursos naturais nunca mais se repetirá na Bolívia", disse Saúl Villegas, chefe da divisão da Comibol que supervisiona a extração de lítio. "Talvez haja a possibilidade dos estrangeiros aceitarem ser parceiros minoritários, ou melhor, nossos clientes."
Para isso, a Comibol está investindo cerca de US$ 6 milhões em uma pequena usina perto da aldeia de Río Grande, na margem do Salar do Uyuni, onde espera iniciar o primeiro esforço em escala industrial da Bolívia para extrair o lítio da paisagem branca, semelhante à lunar, e processá-lo em carbonato para as baterias.
Os técnicos primeiro precisam trazer a salmoura, a água saturada de sal encontrada nas profundezas sob o deserto de sal, para a superfície, onde ela é evaporada em tanques para expor o lítio. Morales quer a usina concluída até o final deste ano.
Os operários daqui estavam em um frenesi para cumprir a meta durante o final de janeiro, trabalhando sob o sol ao redor de paredes de tijolos inacabadas. Durante uma refeição de guisado de lhama e uma Pepsi, Marcelo Castro, 48 anos, o supervisor do projeto, explicou que além do processamento de lítio, a usina tinha outro objetivo.
"É claro, o lítio é o mineral que nos conduzirá para a era pós-petróleo", disse Castro. "Mas para podermos seguir por essa estrada, nós temos que elevar a consciência revolucionária de nosso povo, começando pelo piso desta fábrica."
Além da minúscula usina, os analistas de lítio dizem que a Bolívia, um dos países menos desenvolvidos da América Latina, precisa investir muito mais para iniciar a produção do carbonato. Mas com a desaceleração do crescimento econômico e a queda nos preços do petróleo limitando a ajuda de sua principal benfeitora, a Venezuela, não se sabe quanto a Bolívia será capaz de fazer por conta própria.
Ainda assim, apesar de Morales estar exercendo um maior controle sobre a economia e assumindo os projetos de petróleo e gás, analistas otimistas do setor apontam que ele permitiu que algumas empresas estrangeiras permanecessem no país como parceiras minoritárias.
A exploração de lítio na Bolívia tem sua própria história de altos e baixos. No início dos anos 90, a oposição nacionalista supostamente liderada por Gonzalo Sánchez de Lozada, um rico detentor de concessões de mineração que posteriormente se tornou presidente da Bolívia, minou um plano da Lithco, uma empresa americana, de explorar os depósitos de lítio daqui.
Essa história, somada às atuais tensões de Morales com Washington, podem ajudar a explicar por que as empresas americanas parecem estar de lado enquanto outras buscam acordos de lítio aqui. Sánchez de Lozada no final foi forçado a renunciar como presidente em 2003, após Morales ter liderado protestos contra seus esforços para exportar gás natural com a ajuda de capital estrangeiro.
Enquanto a Bolívia estuda como explorar seu lítio, países com reservas menores estão aumentando a produção. A China despontou como maior produtora de lítio, explorando reservas encontradas em um deserto de sal tibetano.
Mas geólogos e economistas estão debatendo ferozmente se as reservas de lítio fora da Bolívia são suficientes para atender a demanda global crescente. Keith Evans, um geólogo da Califórnia, argumenta que os recursos de lítio acessíveis fora da Bolívia são significativamente maiores do que as estimativas do Levantamento Geológico dos Estados Unidos.
Juan Carlos Zuleta, um economista em La Paz, disse: "Nós temos as reservas de lítio mais magníficas do planeta, mas se não entrarmos na corrida agora, nós perderemos esta chance. O mercado encontrará outras soluções para as necessidades de bateria do mundo".
No deserto de sal de Uyuni, esse debate parece remoto para aqueles que ainda trabalham da mesma forma que seus ancestrais, raspando o sal do solo em pilhas em formato de cone que se alinham no horizonte como uma miragem geométrica. O lítio encontrado abaixo da superfície deste deserto parece ainda mais remoto para estes extratores de sal do século 21.
"Eu ouvi falar do lítio, mas só espero que possa criar trabalho para nós", disse Pedro Camata, 19 anos, com seu rosto protegido do sol inclemente por uma máscara de esqui e óculos escuros baratos cobrindo seus olhos. "Uma pessoa sem trabalho aqui está morta."
Tradução: George El Khouri Andolfato
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Chávez diz que foi descoberto plano de assassinato de Morales
CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que um plano para assassinar o presidente boliviano, Evo Morales, foi descoberto.
Segundo Chávez, Morales telefonou para ele e disse que autoridades bolivianas haviam "descoberto um plano de assassinato". O líder venezuelano afirmou, durante uma transmissão de rádio no domingo, que não entraria em detalhes e que deixaria isso para os funcionários bolivianos.
Morales é um dos vários aliados de esquerda na América Latina que compartilham a posição venezuelana de antagonismo em relação aos Estados Unidos. Chávez disse que pediu a Morales que tomasse cuidado.
Morales tem enfrentado seguidos protestos de opositores, mas obteve uma vitória importante em um referendo para confirmar seu mandato, em agosto.
Segundo Chávez, Morales telefonou para ele e disse que autoridades bolivianas haviam "descoberto um plano de assassinato". O líder venezuelano afirmou, durante uma transmissão de rádio no domingo, que não entraria em detalhes e que deixaria isso para os funcionários bolivianos.
Morales é um dos vários aliados de esquerda na América Latina que compartilham a posição venezuelana de antagonismo em relação aos Estados Unidos. Chávez disse que pediu a Morales que tomasse cuidado.
Morales tem enfrentado seguidos protestos de opositores, mas obteve uma vitória importante em um referendo para confirmar seu mandato, em agosto.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Na Bolívia, Ingrid Betancourt elogia força política da esquerda de Morales

da Efe, em La Paz
A ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Ingrid Betancourt disse neste sábado, em La Paz, que o presidente boliviano, Evo Morales, é um exemplo de que a esquerda pode chegar ao poder pela via democrática.
Betancourt se reuniu com Morales por mais de uma hora no Palácio do Governo de La Paz, em meio a uma viagem que realiza para defender a liberdade de outros reféns das Farc e que inclui uma passagem pelo Brasil.
Martin Alipaz/Efe
Ingrid Betancourt se reúne com Evo Morales e elogia força da esquerda na Bolívia
Ingrid Betancourt se reúne com Evo Morales e elogia força da esquerda na Bolívia
Morales não fez declarações sobre sua reunião com Betancourt, mas o vice-ministro de Coordenação de Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, destacou que foi um encontro cordial no qual houve uma discussão sobre a realidade da América Latina.
Em coletiva de imprensa, Betancourt afirmou que há alguns anos ninguém acreditava na América Latina que uma pessoa de origem indígena poderia chegar ao poder.
A ex-candidata presidencial disse ainda que o fato de Morales ter chegado ao poder na Bolívia pela via democrática em meio a dificuldades internas é algo valioso que ela admira.
Morales é um indígena aimara que chegou ao poder em janeiro de 2006 com um alto apoio nas urnas. Seu mandato foi ratificado em agosto passado em referendo.
Betancourt ressaltou que o fato de muitos presidentes da "esquerda revolucionária" terem chegado ao poder na América Latina pelas urnas "é prova indubitável de que as Farc estão equivocadas" em seu país.
"As Farc têm que entender que não há nenhuma justificativa para roubar, matar e seqüestrar para chegar ao poder", disse Betancourt, que frisou que na América Latina fica claro "que se pode ser uma opção de esquerda pela via democrática e ter sucesso".
Já Llorenti afirmou que o presidente Morales considera que a luta política "tem que ser democrática" pelas vias eleitorais e que "de modo algum se pode justificar o levantamento de armas", "nem o seqüestro, nem a extorsão".
A Bolívia é a penúltima etapa da viagem que Betancourt pretende encerrar na Venezuela, antes de retornar à França. A franco-colombiana já encontrou com os presidentes de Equador, Argentina, Chile, Peru e Brasil.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Morales fecha acordo para referendo em janeiro

Governo e oposição bolivianos chegaram a um acordo nesta segunda-feira para realizar o referendo sobre a nova Constituição do país no dia 25 de janeiro.
No acordo, ficou acertada também a antecipação das eleições para presidente, vice-presidente e parlamentares para dezembro de 2009, caso a nova Carta seja ratificada pelo voto popular. Pelo calendário atual, as eleições presidenciais seriam realizadas em dezembro de 2010.
No mesmo dia também serão realizadas eleições nos Departamentos (Estados) de Cochabamba e La Paz - nesses Estados, os governadores foram derrotados no plebiscito realizado em agosto, quando autoridades do Executivo foram ratificadas ou rejeitadas pelo voto popular.
A informação sobre o acordo foi divulgada pelo senador Félix Rojas, líder do partido oficial Movimento ao Socialismo (MAS), no Senado. "Já temos o acordo com a oposição", disse ele após intensas negociações no Congresso.
Sem reeleição
De acordo com a Agência Boliviana de Informação (ABI), o senador da oposição Luis Vásquez, do partido Poder Democrático Social (Podemos), disse que foram feitas modificações no texto original da Constituição que permitiram a convocação do referendo.
De acordo com a agência e rádio Red Erbol, Morales prometeu que não vai disputar a reeleição caso seja novamente eleito presidente em 2009.
Ele também definiu que encurtará seu atual mandato, para que o próximo presidente assuma logo depois das eleições do ano que vem. Originalmente, Morales, que assumiu em 2006, ficaria no cargo até 2011, mas, com o acordo, seu mandato deve durar até o final de 2009.
Um dos entraves para o acordo era a possibilidade que Morales pudesse tentar a reeleição caso seja eleito novamente no ano que vem. Se obtivesse vitória em todas as eleições, ele poderia ficar no cargo até 2019. Com o acordo, ele teria que deixar a Presidência após cumprir um novo mandato de cinco anos.
A nova Constituição manteve o mandato de cinco anos, mas criou a reeleição.
A resistência a abrir mão da reeleição era um dos motivos que estavam travando as negociações desde o fim de semana.
"O presidente recebeu mais de dois terços dos votos (no referendo de agosto) e oferece, generosamente, essa legitimidade das urnas em troca de viabilizar a aprovação da nova Constituição", disse o ministro de Desenvolvimento Rural, Carlos Romero.
O anúncio do acordo foi feito pouco depois de milhares de manifestantes chegarem à Praça Murillo, em frente ao Congresso Nacional para pressionar pela aprovação do referendo. A abertura e o fim da caminhada, que durou uma semana, foi liderada pelo presidente Evo Morales.
Apesar de terem conseguido a aprovação do referendo, líderes dos manifestantes afirmaram que vão "avaliar" o texto que deverá ser aprovado pelos legisladores.
Segundo eles, os parlamentares não tinham "o direito" a modificar o texto da nova Carta.
As declarações sinalizam que o acordo pode não encerrar as tensões no país.
UOL
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Oposição boliviana só fecha acordo se governo rever nova Constituição
Da Agência Brasil
Brasília - A oposição boliviana condicionou um acordo com o governo a mudanças na nova Constituição, aprovada ano passado sem a presença dos oposicionistas, de acordo com Informações da BBC Brasil. O senador do principal partido de oposição na Bolívia, o Podemos, Wálter Guiteras, afirmou que o governo quer discutir apenas o capítulo das autonomias e a oposição quer rever outros nove pontos que consideram “essenciais”. “Não é suficiente, como o governo pretende, discutir apenas o capítulo das autonomias”, disse Guiteras.
Essa nova exigência da oposição surgiu hoje (25) logo depois do reinício das negociações entre oposição e governo, suspensas na segunda-feira (22), quando o presidente boliviano Evo Morales foi a Nova York, Estados Unidos, para participar da reunião da Assembléia Geral das Nações Unidas e também de uma reunião da União das Nações da América do Sul (Unasul).
Entre os pontos que a oposição quer estão as autonomias indígenas, a revisão dos capítulos referentes ao tamanho da terra – que seria ficaria entre 5 e 10 mil hectares –, e a reeleição presidencial.
A nova constituição ainda precisa ser aprovada no Senado boliviano, onde a maioria dos parlamentares é de partidos da oposição. "Não podemos aprovar um pacote constitucional sem discutir seu conteúdo", afirmou o porta-voz dos governadores da oposição, Mario Cossío.
Só depois de a proposta aprovada no Senado é que o referendo poderá ser feito. Só, então, a população vai analisar o novo texto constitucional. Evo Morales declarou esta semana que o Congresso boliviano tem até o dia 15 de outubro para aprovar a nova Constituição e para convocar o referendo.
Brasília - A oposição boliviana condicionou um acordo com o governo a mudanças na nova Constituição, aprovada ano passado sem a presença dos oposicionistas, de acordo com Informações da BBC Brasil. O senador do principal partido de oposição na Bolívia, o Podemos, Wálter Guiteras, afirmou que o governo quer discutir apenas o capítulo das autonomias e a oposição quer rever outros nove pontos que consideram “essenciais”. “Não é suficiente, como o governo pretende, discutir apenas o capítulo das autonomias”, disse Guiteras.
Essa nova exigência da oposição surgiu hoje (25) logo depois do reinício das negociações entre oposição e governo, suspensas na segunda-feira (22), quando o presidente boliviano Evo Morales foi a Nova York, Estados Unidos, para participar da reunião da Assembléia Geral das Nações Unidas e também de uma reunião da União das Nações da América do Sul (Unasul).
Entre os pontos que a oposição quer estão as autonomias indígenas, a revisão dos capítulos referentes ao tamanho da terra – que seria ficaria entre 5 e 10 mil hectares –, e a reeleição presidencial.
A nova constituição ainda precisa ser aprovada no Senado boliviano, onde a maioria dos parlamentares é de partidos da oposição. "Não podemos aprovar um pacote constitucional sem discutir seu conteúdo", afirmou o porta-voz dos governadores da oposição, Mario Cossío.
Só depois de a proposta aprovada no Senado é que o referendo poderá ser feito. Só, então, a população vai analisar o novo texto constitucional. Evo Morales declarou esta semana que o Congresso boliviano tem até o dia 15 de outubro para aprovar a nova Constituição e para convocar o referendo.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Governo e oposição esperam assinar acordo amanhã na Bolívia
da Folha Online
O governo e a oposição autonomista da Bolívia esperam assinar amanhã, em Cochabamba, seu primeiro acordo no marco do processo de diálogo que busca a paz no país, disseram nesta quarta-feira fontes da duas partes.
Em entrevista à televisão estatal boliviana, o vice-ministro de Descentralização, Fabián Yaksic, se mostrou esperançoso que na reunião de amanhã "se alcance a assinatura de um primeiro acordo que marcará a rota crítica" do resto das negociações.
O governador do departamento opositor (Estado) de Santa Cruz, Rubén Costas, disse que os opositores estão "fazendo um esforço de responsabilidade para que se alcance de uma vez por todas a pacificação no país". Para Costas, os governadores opositores querem "um primeiro acordo com tudo o que já foi conversado".
Tanto Yaksic quanto Costas, além dos governadores regionais, se encontrarão amanhã com o presidente boliviano, Evo Morales, que retorna ao país de viajem a Nova York, onde participou da 63ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas.
O vice-ministro Yaksic comentou que espera que as duas comissões técnicas que continuam trabalhando terminem hoje o relatório a ser apresentado na reunião de amanhã, prevista para começar às 10h (11h de Brasília).
Para Yaksic, o objetivo das negociações é que antes de 15 de outubro estejam dadas "as melhores condições possíveis para que finalmente o Congresso aprove a lei de convocação" dos referendos para validar o projeto de Constituição proposto pelo governo.
O Executivo e os opositores, com o acompanhamento da comunidade internacional, negociam o reparte das receitas dos hidrocarbonetos entre o Estado e os departamentos, a articulação de um modelo de descentralização autônoma e o projeto de nova Constituição apoiado por Morales.
O diálogo começou na última quinta-feira para pacificar o país depois de violentos confrontos entre opositores e governistas em cinco Estados governadas por opositores a Morales terem deixado ao menos 17 mortos e dezenas de feridos.
Morales agradece Unasul
Morales agradeceu, nesta quarta-feira, aos países da Unasul o apoio dado a seu governo, após uma reunião, em Nova York, na qual um novo encontro foi agendado para dezembro e se decidiu pela instalação de uma comissão investigadora na Bolívia.
Morales disse aos jornalistas, ao final de uma reunião com vários presidentes da União Sul-Americana de Nações (Unasul), que aproveitou o encontro para "agradecer a presidentes e presidentas da América do Sul por sua participação como observadores para buscar soluções pacíficas na Bolívia".
O presidente andino comentou que a situação em seu país, onde seu governo enfrenta dura oposição, "está se resolvendo".
A presidente chilena, Michelle Bachelet, que ocupa a Presidência rotativa da Unasul, convocou a reunião. No final, Bachelet destacou que o grupo resolveu suspender um encontro previsto para outubro e adiá-lo para dezembro. Nesse mês, acontece uma cúpula do Mercosul, na Bahia.
Em separado, Bachelet e Morales afirmaram que, a partir de segunda-feira, será instalada na Bolívia uma comissão encarregada de investigar os violentos confrontos ocorridos no departamento de Pando entre grupos opositores e camponeses partidários do governo, com saldo de pelo menos 17 mortos, dia 11 de setembro.
Com Efe e France Presse
O governo e a oposição autonomista da Bolívia esperam assinar amanhã, em Cochabamba, seu primeiro acordo no marco do processo de diálogo que busca a paz no país, disseram nesta quarta-feira fontes da duas partes.
Em entrevista à televisão estatal boliviana, o vice-ministro de Descentralização, Fabián Yaksic, se mostrou esperançoso que na reunião de amanhã "se alcance a assinatura de um primeiro acordo que marcará a rota crítica" do resto das negociações.
O governador do departamento opositor (Estado) de Santa Cruz, Rubén Costas, disse que os opositores estão "fazendo um esforço de responsabilidade para que se alcance de uma vez por todas a pacificação no país". Para Costas, os governadores opositores querem "um primeiro acordo com tudo o que já foi conversado".
Tanto Yaksic quanto Costas, além dos governadores regionais, se encontrarão amanhã com o presidente boliviano, Evo Morales, que retorna ao país de viajem a Nova York, onde participou da 63ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas.
O vice-ministro Yaksic comentou que espera que as duas comissões técnicas que continuam trabalhando terminem hoje o relatório a ser apresentado na reunião de amanhã, prevista para começar às 10h (11h de Brasília).
Para Yaksic, o objetivo das negociações é que antes de 15 de outubro estejam dadas "as melhores condições possíveis para que finalmente o Congresso aprove a lei de convocação" dos referendos para validar o projeto de Constituição proposto pelo governo.
O Executivo e os opositores, com o acompanhamento da comunidade internacional, negociam o reparte das receitas dos hidrocarbonetos entre o Estado e os departamentos, a articulação de um modelo de descentralização autônoma e o projeto de nova Constituição apoiado por Morales.
O diálogo começou na última quinta-feira para pacificar o país depois de violentos confrontos entre opositores e governistas em cinco Estados governadas por opositores a Morales terem deixado ao menos 17 mortos e dezenas de feridos.
Morales agradece Unasul
Morales agradeceu, nesta quarta-feira, aos países da Unasul o apoio dado a seu governo, após uma reunião, em Nova York, na qual um novo encontro foi agendado para dezembro e se decidiu pela instalação de uma comissão investigadora na Bolívia.
Morales disse aos jornalistas, ao final de uma reunião com vários presidentes da União Sul-Americana de Nações (Unasul), que aproveitou o encontro para "agradecer a presidentes e presidentas da América do Sul por sua participação como observadores para buscar soluções pacíficas na Bolívia".
O presidente andino comentou que a situação em seu país, onde seu governo enfrenta dura oposição, "está se resolvendo".
A presidente chilena, Michelle Bachelet, que ocupa a Presidência rotativa da Unasul, convocou a reunião. No final, Bachelet destacou que o grupo resolveu suspender um encontro previsto para outubro e adiá-lo para dezembro. Nesse mês, acontece uma cúpula do Mercosul, na Bahia.
Em separado, Bachelet e Morales afirmaram que, a partir de segunda-feira, será instalada na Bolívia uma comissão encarregada de investigar os violentos confrontos ocorridos no departamento de Pando entre grupos opositores e camponeses partidários do governo, com saldo de pelo menos 17 mortos, dia 11 de setembro.
Com Efe e France Presse
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