quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PM e consulado querem que filhos de bolivianos virem policiais em SP (Postado por Erick Oliveira)

Uma das medidas adotadas pela Polícia Militar em parceria com o Consulado da Bolívia para tentar combater crimes motivados por rixas que vêm acontecendo entre imigrantes sul-americanos em São Paulo é a elaboração de um projeto para ‘transformar’ filhos de bolivianos em policiais militares. O objetivo do comandante-geral, coronel Álvaro Camilo, e do cônsul-geral, Jaime Valdivia Alamanza, é introduzir esses descendentes nas comunidades para melhorar a comunicação entre a PM e os estrangeiros. Na terça-feira (16), o G1 mostrou que de janeiro a julho deste ano a Polícia Militar atendeu 71 ocorrências envolvendo cidadãos da Bolívia, Paraguai e Peru.
Na maioria das vezes, as vítimas de língua espanhola deixam de registrar queixa na delegacia por não compreenderem português ou por estarem em situação irregular no Brasil. O comandante Camilo divulgou também que irá implantar uma base comunitária móvel da PM e câmeras de segurança para monitorar os bairros do Canindé, Pari e Brás na região central, tradicionais redutos dos sul-americanos.
“Nós temos uma dificuldade muito grande com os bolivianos, eles são muito fechados, isolados. E eles usam, em grande parte, um dialeto próprio, que nós [policiais militares] não compreendemos. Pretendemos treinar e dar aula para filhos de bolivianos para que eles possam prestar concurso para a Polícia Militar e, no futuro, ser uma ligação com essa comunidade. Aulas de português, matemática para prestar o concurso da PM como se fosse um pré-vestibular. Nossa ideia é que a gente consiga fazer uma parceria com alguma entidade para bancar isso gratuitamente. Eles não vão ser beneficiados para entrar na polícia, eles vão ter que ter o ensino médio, ficar em turmas de filhos de bolivianos, fazer o curso e passar no concurso. Mas de qualquer forma é a intenção para ter alguém da comunidade para poder trabalhar naquela região”, afirma o coronel Álvaro Camilo.
Facas e bebidas
As áreas onde se concentram os imigrantes latinos na capital paulista vêm apresentando problemas. De janeiro a julho deste ano, a PM diz ter atendido 71 ocorrências envolvendo cidadãos da Bolívia, Paraguai e Peru. Durante esse período, um estrangeiro foi assassinado e ocorreram 34 roubos e 36 casos de lesões corporais. Mas esse número pode ser ainda maior por causa dos imigrantes que relutam em procurar uma delegacia para relatar algum crime. Os ataques ocorrem geralmente à noite e perto de casas noturnas que tocam músicas latinas. O uso de facas e de bebidas está ligado aos ataques.
Segundo Camilo, “a comunidade tem problemas, rixas, brigas, na forma de convivência". Por isso, segundo ele, é preciso tentar se aproximar. “Estamos comprando bases comunitárias agora. A ideia é colocar uma base comunitária móvel na região onde vivem os bolivianos para fazer uma aproximação maior com eles lá. Então, se está havendo esse problema agora, certamente vai ser um lugar que a gente vai mapear e colocar câmeras muito em breve.”
“Temos esse projeto, que já está no papel, em andamento para integrar descendentes de bolivianos na PM. Isso será importante no aspecto físico e da língua. Os bolivianos se sentirão mais à vontade em falar com um policial parecido com eles quando tiverem um problema”, diz o cônsul da Bolívia, Jaime Alamanza.
Levantamento feito pelo G1 mostra que, de novembro de 2010 até o mês passado, somente sete de dez conflitos entre os três povos foram investigados. No período foram assassinados sete estrangeiros - cinco bolivianos, um paraguaio e um peruano. Outros 15 ficaram feridos. A compilação dos dados leva em conta registros oficiais e subnotificações relatadas por testemunhas.
O Ministério Público Estadual e a Polícia Civil de São Paulo apuram a suspeita de rixas entre os imigrantes bolivianos, paraguaios e peruanos. Os promotores Neudival Mascarenhas e Marcelo Rovere instauraram procedimento e vão tentar marcar uma reunião com a PM e consulados da Bolívia e Paraguai para discutir uma solução emergencial para a região afetada.
A delegada Fabiana Sarmento de Sena, da equipe C Leste do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), investiga alguns dos casos. Na segunda-feira (15), ela e sua equipe concluíram o inquérito que apura a morte do boliviano Wilfredo Rodrigues Chambi, de 26 anos, assassinado a facadas no dia 17 de julho por um grupo de paraguaios na Avenida Carlos de Campos, no Pari. Seu primo, também boliviano, e um amigo, filho de bolivianos, também foram feridos e roubados, mas sobreviveram ao ataque. Um paraguaio foi preso em flagrante e confessou participar do crime, segundo a polícia.
De acordo com a delegada,“os autores tiveram como intensão roubar as vítimas” e também “feri-las em razão das rivalidades existentes entre os dois povos”. Foi pedida a prisão preventiva do suspeito e de outro procurado. O pedido foi aceito pela Justiça.
Resta agora o MP denunciar os dois acusados pelo crime. Isso deverá ser feito nos próximos dias.
A respeito da suspeita de rixa entre os povos, a delegada Fabiana Sena diz que existe comportamento de intolerância entre bolivianos e paraguaios, principalmente na região do Brás, o que vem resultando em constantes brigas, crimes contra o patrimônio, agressões e mortes.
“Os depoimentos mostram que o problema entre as etnias pode ser ainda maior”, relata a delegada, que diz ter encaminhado as informações a respeito dessas intolerâncias para conhecimento da Unidade de Inteligência do DHPP e a Delegacia de Crimes Raciais, Delitos e Intolerância (Decradi).
A cônsul paraguaia, María Amalia Barboza, também não desdenha do problema. “Temos informações de que, sim, houve brigas entre latino-americanos, mas não temos uma notícia oficial de que eram paraguaios. Mas eu acho que eles estavam dentro desse grupo. Sabemos disso pela imprensa”, diz a cônsul. “Não tem que haver essas brigas entre latino-americanos porque somos irmãos.”
O Consulado do Peru em São Paulo diz que desconhece as brigas entre integrantes das comunidades boliviana, paraguaia e peruana que moram na capital paulista. “Em todo caso, ante tais fatos, não cabe senão a condenação e a rejeição dos mesmos. O que o Consulado Geral do Peru deseja ressaltar é que estes fatos, se forem confirmados, são atribuídos a pessoas marginais, que de nenhuma maneira representam as comunidades boliviana, paraguaia ou peruana em São Paulo”, afirma Eduardo Pérez del Solar, cônsul-geral adjunto do Peru.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

“Nacionalização na Bolívia nos dignifica”, afirma Evo

14/7/2011 9:37,  Por Redação, com agências internacionais - de Mocomoco, Bolívia
Evo foi o primeiro presidente socialista eleito após séculos de exploração por parte dos países capitalistas
Evo foi o primeiro presidente socialista eleito após séculos de exploração por parte dos países capitalistas

O presidente de Bolívia, Evo Morales, destacou nesta quarta que a nacionalização dos recursos naturais, desde 2006, permitiu dignificar a nação sul-americana.  

Em um ato no município de Mocomoco (altiplano de La Paz), onde inaugurou o sistema de eletrificação, Morales assinalou que, desde o início de sua gestão, o Estado recuperou milionários rendimentos pela exploração de petróleo, gás natural e minerais, entre outras matérias primas.

Durante a atividade, na qual entregou recursos a produtores agropecuários, o dignitário disse que se antes 82% dos ganhos oriundos da energia iam às transnacionais e às potências estrangeiras, desde maio de 2006 se consegue reverter essa situação e os rendimentos pertencem a setores historicamente marginalizados.

Morales assinalou que entre esses benefícios estão as ajudas econômicas que são distribuídas entre grávidas, estudantes e idosos, algo inédito na história nacional.

Recordou ainda que a Bolívia tem atualmente maior quantidade de reservas internacionais e seus governantes, graças à estabilidade e crescimento da economia, não têm que ir aos Estados Unidos ou à Europa para pedir dinheiro para pagar salários, como ocorria nos governos neoliberais.

O estadista anunciou novidades, como a implementação em vários municípios do programa Minha Água, com ênfase nas zonas rurais, para sistema de irrigação e acesso à água potável , o que permitirá segurança alimentar com soberania.

Na celebração de Mocomoco, o governador de La Paz, César Cocarico, ressaltou que a eletrificação chega agora a cerca de 20 comunidades dessa localidade da província Camacho, sobretudo as do altiplano e com maiores índices de pobreza.

Desde 2007, o governo de Evo Morales impulsiona um programa nacional de eletrificação denominado Eletricidade para Viver com Dignidade, com o qual se espera atingir a cobertura total em várias etapas.

Com ataque jovem e badalado, Mano exalta defesa de veteranos

 

Técnico tem evitado críticas aos defensores e cobra atacantes por mais gols e ajuda na marcação

Marcel Rizzo e Paulo Passos, enviados iG a Córdoba | 15/07/2011 07:45


Mais de uma década separam Neymar e Pato de Julio Cesar e Lúcio, respectivamente. A diferença de idade e, principalmente, a experiência em grandes competições trazem respaldo na hora das decisões. Assim pensa o técnico da seleção brasileira Mano Menezes.

Acreditando nisso, o treinador resolveu dar mais poder aos jogadores da defesa da seleção brasileira. Apesar do time ter levado dois gols na vitória sobre o Equador, na quarta, Mano Menezes evitou críticas ao setor. A estratégia do treinador é ganhar confiança dos jogadores mais experientes do time para a fase decisiva da Copa América, que começa neste domingo para o Brasil, contra o Paraguai, às 16h (horário de Brasília).

Com a entrada de Maicon, que foi pedida por Lúcio e Julio Cesar, a média de idade dos jogadores da defesa é de mais de 29 anos. O ataque formado por Neymar, Pato e Robinho têm média de 22 anos.

“O jovem ainda oscila mais na hora da decisão que os experientes. A mescla entre experientes e jovens é a medida certa. A juventude te leva a arriscar mais, não ter medo de errar, não aceitar nunca a derrota e se contrapor. Mas para isso você precisa ter um respaldo de jogadores mais experientes”, explicou Mano Menezes. Defesa é setor mais velho do time de Mano:

O processo de envelhecimento da seleção de Mano Menezes começou após a derrota para a Argentina, em novembro de 2010. No amistoso seguinte, contra a França, o técnico chamou o goleiro Julio Cesar, 31 anos, e o lateral Maicon, 29. Depois, para o jogo contra a Escócia, em março, Lucio, 33 anos, foi convocado e virou capitão.

A chegada dos veteranos, oriundos da era Dunga, expôs um choque de gerações na seleção. O comandante da seleção até ensaiou diminuir o poder do grupo dos mais velhos. A medida, entretanto, foi revista. Após os primeiros tropeços na Copa América, os empates com a Venezuela, na estreia, e com o Paraguai, na segunda rodada, Lúcio cobrou mais seriedade dos demais jogadores, o que constrangeu os mais novos no time.

Apesar de criticar o modo como o recado foi dado pelo capitão, de forma clara e aberta à imprensa, Mano Menezes acabou cedendo ao grupo de remanescentes da era Dunga. Uma prova disso foi a entrada de Maicon no lugar de Daniel Alves. “Não tiro nem deixo de tirar um jogador quando penso que a decisão deve ser essa. Não vejo como fator determinante para o Maicon ter entrado o fato dele jogar na Inter de Milão (com Julio Cesar e Lúcio)”, disse o treinador.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Governo detecta 34 pontos vulneráveis ao tráfico nas fronteiras brasileiras

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Brasília
  • Ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, anunciou nesta quarta-feira um plano para reforçar a segurança na fronteira do Brasil com vizinhos Ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, anunciou nesta quarta-feira um plano para reforçar a segurança na fronteira do Brasil com vizinhos
Em seu Plano Estratégico de Fronteiras, anunciado nesta quarta-feira (8), o governo federal detectou 34 pontos onde o crime mais atua nos mais de 16 mil quilômetros de divisa do Brasil com outros países. A iniciativa divulgada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ampliará o policiamento nesses locais e reforçará ações permanentes e em blitze pontuais de impacto.
Ao lado da presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, Cardozo afirmou que o policiamento de fronteiras será feito em conjunto pelas polícias Federal e Rodoviária ao lado das Forças Armadas, que ajudarão na parte logística das operações. A ação conjunta, segundo ele e seu colega da pasta da Defesa, Nelson Jobim, é o principal avanço que a iniciativa traz.
Por segurança, o governo não revela quais são os 34 pontos onde o narcotráfico e o tráfico de armas e bebidas mais agem. Também não falou em quanto será gasto para dobrar o efetivo que trabalha na operação Sentinela nem informou quantos homens estarão disponíveis para as ações.
“A sociedade terá mecanismos para fiscalizar com indicadores que serão divulgados. Vamos usar indicadores cruzados”, afirmou ele. Prisões e apreensões podem estar entre os mecanismos utilizados para avaliar resultados do plano estratégico. Os pontos detectados até agora podem ser reavaliados também.
“Até porque não podemos desconsiderar que o crime tem mobilidade. Quando pressionamos um ponto, ele pode rapidamente se mover para outro”, disse o ministro. “Esses pontos servirão de orientação para o nosso trabalho.” Cardozo repetiu que os VANT (Veículos Aéreos Não-Tripulados) da Polícia Federal patrulharão fronteiras a partir de setembro.

Efetivo maior

Cardozo afirmou que o governo promoverá concursos públicos para dobrar o efetivo nas fronteiras. Ele adiantou que os mais jovens aprovados em concurso cumprirão essas tarefas e que o governo discute uma política de incentivos para os que aceitarem o trabalho nessas regiões fronteiriças.
O ministro disse ainda que a operação Sentinela será reforçada de forma permanente e que, em coordenação com o Ministério da Defesa, haverá a operação Ágata, com ações pontuais de impacto contra o crime nas fronteiras. No Ministério da Justiça, haverá uma sala de acompanhamento dessas ações.

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Após casamento visto por milhões, Kate e William festejam em Londres


Após o casamento que foi assistido por milhões em todo mundo, o príncipe William e sua mulher, Kate Middleton, agora participam de recepções para os centenas de convidados do enlace, ocorrido pela manhã em Londres.
A polícia londrina estima que cerca de um milhão de pessoas acompanharam nas ruas a cerimônia e passagem dos noivos, que se casaram na Abadia de Westminster. Outras centenas de milhões de pessoas assistiram à cerimônia pela televisão ou pela internet ao redor do mundo.
Depois do casamento, os recém-casados seguiram para o Palácio de Buckingham, residência oficial da rainha Elizabeth 2ª em Londres.
Lá a monarca foi anfitriã da primeira recepção.
Um banquete foi oferecido para os mais de 600 convidados, entre eles chefes de Estado, celebridades, amigos e familiares do casal.
À noite, o duque e a duquesa de Cambridge – títulos que William e Kate agora passam a ostentar – seguiram para uma segunda recepção, desta vez promovida pelo pai do noivo, o príncipe Charles.
Segurança
William e Kate
Polícia montou grande esquema de segurança para o casamento
A polícia montou um grande esquema de segurança para garantir que o casamento transcorresse tranquilamente.
Mais de 50 pessoas foram presas, a maioria por pequenos distúrbios. Dez dos detidos carregavam cartazes contra a monarquia ou equipamentos de escalada.
A polícia também manteve sob observação dois pequenos protestos contra o casamento no centro de Londres, mas disse que ambos permaneceram calmos.
Cerca de 1,9 mil convidados compareceram à cerimônia, e entre 3 mil e 5 mil pessoas acamparam durante a noite ao redor da abadia.
Outros milhares dormiram acampados ao longo da rota do casal, entre a igreja e o Palácio de Buckingham.
William e Kate desfilaram após a cerimônia na carruagem State Landau 1902, aberta, que também foi usada no casamento dos pais do príncipe, Charles e Diana, em 1981.
A cerimônia transcorreu como planejado, embora William tenha se atrapalhado ao colocar o anel no dedo de Kate. O anel parecia ser pequeno demais para o dedo da noiva, mas, com um pouco de esforço, acabou entrando.
Seguindo a tradição, a joia foi feita com ouro de Gales e dado ao noivo pela rainha. Elizabeth 2ª também emprestou a Kate a tiara de diamantes que ela usou sob o véu.
Pontualmente às 13h25 (horário de Londres), como previsto, William e Kate apareceram na sacada do Palácio de Buckingham ao lado da rainha Elizabeth 2ª, dos pais de Kate, Carole e Michael, do príncipe Charles e outros membros da família real.
Para delírio da multidão que se aglomerava à frente do palácio, os dois trocaram seu primeiro beijo público.
Clique Leia mais na BBC Brasil: Sob os olhos do mundo, Kate e William se tornam marido e mulher
Vestido
Kate Middleton chegou à abadia usando um vestido longo e branco, de mangas rendadas, deixando entrever os ombros. O trabalho foi feito pela Escola Real de Costura, em Hampton Court.
William, Kate e a família real na sacada do Palácio de Buckingham
William e Kate acenaram do Palácio de Buckingham para a multidão
Sob o véu de 2,7 metros, Kate usava uma tiara de diamantes e dois delicados brincos de brilhantes.
A peça foi desenhada por Sarah Burton, diretora de criação da grife fundada por Alexander McQueen, ícone da moda britânica morto no ano passado.
Segundo uma leitura labial feita por um especialista a pedido do jornal The Guardian, as primeiras palavras de William ao ver a noiva - que caminhou por uma avenida de árvores dentro da igreja - foram "você está linda".
William vestia uniforme militar e a esperava ao lado do irmão, o príncipe Harry, padrinho do casamento.
O casal foi oficialmente casado pelo arcebispo de Cantuária às 11h20 (7h20 em Brasília).
Com o casamento, Kate passa a ser duquesa de Cambridge, já que, horas antes, a rainha Elizabeth 2ª concedeu o título de duque de Cambridge a William.
O príncipe também se tornou conde de Strathearn e Barão Carrickfergus, transformando Kate em Condessa de Strathearn e Baronesa Carrickfergus.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dilma diz que governo deve conviver com críticas da imprensa

DE SÃO PAULO
Durante a cerimônia de comemoração dos 90 anos da Folha de S.Paulo, a presidente da República, Dilma Rousseff, declarou que o governo "deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia" e que deve haver um convívio "civilizado com a multiplicidade de opiniões, crenças e propostas."
Alckmin classifica liberdade de imprensa como 'pleonasmo'
Kassab diz que Folha é 'importante' para a liberdade de imprensa
Otavio Frias Filho reafirma compromissos editoriais da Folha
Ato multirreligioso celebra 90 anos da Folha
A presidente celebrou a existência de liberdade de imprensa no Brasil e afirmou que ser jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem.
"A censura obrigou o primeiro jornal brasileiro a ser impresso em Londres em 1808. De Líbero Badaró a Vladimir Herzog, ser jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem."
"Livre, plural e investigativa, a imprensa é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais."
A presidente disse ainda que no Brasil, "com uma democracia tão nova", "devemos preferir o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras".
NOVOS TEMPOS
Dilma declarou que a imprensa escrita atravessa um momento histórico devido aos avanços tecnológicos. "A internet modificou para sempre a relação dos leitores com os jornais."
O grande desafio, disse ela, é "oferecer um produto que não perca profundidade e como tornar as críticas dos leitores um ativo dos jornais".
A petista disse ainda acreditar que, "com a mesma dedicação que enfrentaram censura, [os jornais] vão enfrentar as respostas para esse novo desafio".


HOMENAGEM

A presidente afirmou que Octavio Frias de Oliveira (1912-2007), publisher da Folha, é referência para toda a imprensa nacional.
"Ele foi um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador. Trabalhador desde os 14 anos de idade, ele transformou a Folha de S.Paulo em um dos jornais mais importantes do país e foi responsável por revolucionar a forma de fazer jornalismo no nosso Brasil."
Ela lembrou que o jornal ocupou um papel "decisivo em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso das Diretas Já".

Jorge Araújo/Folhapress
ORG XMIT: XXX SAO PAULO) SP 21 02 2011 90 ANOS DE FOLHA A presidente Dilma Rousseff, artistas,empresarios, ministros e autoridades durante cerimonia dos 90 anos de Folha na sala São Paulo Jorge Araujo Folha Press
Para a presidente Dilma Rousseff, 'ser jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem'
VEJA A ÍNTEGRA DO DISCURSO DE DILMA ROUSSEFF
Eu queria desejar boa noite a todos os presentes.
Cumprimentar o sr. Michel Temer, vice-presidente da República, o nosso governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a senhora Lu Alckmin. Queria cumprimentar o senador José Sarney, presidente do Senado. Queria cumprimentar também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Cumprimentar o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia. O ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, por meio de quem cumprimento os demais ministros do Supremo presentes a esta cerimônia.
Queria cumprimentar a família Frias, o Luiz, o Otavio, a Maria Cristina, e queria cumprimentar também o senhor José Serra, ex-governador do Estado.
Dirijo um cumprimento especial também aos governadores aqui presentes e também aos ministros de Estado que me acompanham nesta cerimônia. Cumprimento o senhor Barros Munhoz, presidente da Assembleia Legislativa do Estado.
Queria cumprimentar também todos os senadores, deputados e senadoras, deputados e deputadas federais, deputados e deputadas estaduais. Queria cumprimentar o senhor Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Dirigir um cumprimento especial aos representantes das diferentes religiões que estiveram neste palco.
Dirigir também um cumprimento a todos os funcionários do Grupo Folha. Queria cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas. E a todos aqueles que contribuem para que a Folha seja diariamente levada até nós.
Eu estou aqui representando a Presidência da República, estou aqui como presidente da República. E tenho certeza que cada um de nós percebe, hoje, que o Brasil é um país em desenvolvimento econômico acelerado. Que aspira ser, ao mesmo tempo, um país justo, uma nação justa, sem pobreza, e com cada vez menos desigualdade. Para todos nós isso não é concebível sem democracia. Uma democracia viva, construída com esforço de cada um de nós, e construída ao longo destes anos por todos aqui presentes. Que cresce e se consolida a cada dia. É uma democracia ainda jovem, mas nem por isso mais valorosa e valiosa.
A nossa democracia se fortalece por meio de práticas diárias, como os diferentes processos eleitorais. As discussões que a sociedade trava e que leva até as suas representações políticas. E, sobretudo, pela atividade da liberdade de opinião e de expressão. E, obviamente, uma liberdade que se alicerça, também, na liberdade de crítica, no direito de se expressar e se manifestar de acordo com suas convicções.
Nós, quando saímos da ditadura em 1988, consagramos a liberdade de imprensa e rompemos com aquele passado que vedava manifestações e que tornou a censura o pilar de uma atividade que afetou profundamente a imprensa brasileira.
A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem.
E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas.
Ao comemorar o aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, este grande jornal brasileiro, o que estamos celebrando também é a existência da liberdade de imprensa no Brasil.
Sabemos que nem sempre foi assim. A censura obrigou o primeiro jornal brasileiro a ser impresso em Londres, a partir de 1808. Nesses 188 anos de independência, é necessário reconhecer que na maior parte do tempo a imprensa brasileira viveu sob algum tipo de censura. De Líbero Badaró a Vladimir Herzog, ser um jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem. É esta coragem que aplaudo hoje no aniversário da Folha.
Uma imprensa livre, plural e investigativa, ela é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que além de ser um país continental, é um país que congrega diferenças culturais apesar da nossa unidade. Um governo deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia. Porque a democracia exige sobretudo este contraditório, e repito mais uma vez: o convívio civilizado, com a multiplicidade de opiniões, crenças, aspirações.
Este evento é também uma homenagem à obra e ao legado de um grande empresário. Um homem que é referência para toda a imprensa brasileira. Octavio Frias de Oliveira foi um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador. Trabalhador desde os 14 anos de idade, Octavio Frias transformou a Folha de S.Paulo em um dos jornais mais importantes do nosso país. E foi responsável por revolucionar a forma de se fazer jornalismo no nosso Brasil.
Soube, por exemplo, levar o seu jornal a ocupar espaços decisivos em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso da campanha das Diretas-Já. Soube também promover uma série de inovações tecnológicas, tanto nas versões impressas dos seus jornais, como nas novas fronteiras digitais da internet.
Reafirmo nessa homenagem aos 90 anos da Folha de S.Paulo meu compromisso inabalável com a garantia plena das liberdades democráticas, entre elas a liberdade de imprensa e de opinião.
Sei que o jornalismo impresso atravessa um momento especial na sua história. A revolução tecnológica proporcionada pela internet modificou para sempre os hábitos dos leitores e, principalmente, a relação desses leitores com seus jornais. Como oferecer um produto que acompanhe a velocidade tecnológica e não perca a sua profundidade? Como aceitar as críticas dos leitores e torná-las um ativo do jornal?
Sei que as senhoras e os senhores conhecem a dimensão do desafio que enfrentam, e que, com a mesma dedicação com que enfrentaram a censura, irão encontrar a resposta para esse novo desafio. E desejo a vocês o que nesse caminho sintetiza melhor o sucesso: que dentro de 90 anos a Folha continue sendo tão importante como agora para se entender o Brasil.
É nesse espírito que parabenizo a Folha pelos seus 90 anos. Parabenizo cada um daqueles que contribuem, e daquelas que contribuem, para que ela chegue à luz. A todos esses profissionais que lhe dedicam diariamente o melhor do seu talento e do seu trabalho.
Por fim, reitero sempre, que no Brasil de hoje, nesse Brasil com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir um milhão de vezes os sons das vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras.
Muito obrigada.